O professor Sérgio Lima Netto foi eleito diretor da Escola Politécnica da UFRJ para o quadriênio 2026–2029. A posse foi publicada nesta segunda-feira (9/2) no Diário Oficial da União, data a partir da qual o professor passou a assumir oficialmente a direção de uma das mais tradicionais e respeitadas instituições de ensino de engenharia do país, dando início a um novo ciclo de gestão na Politécnica.
Com mais de 40 anos de ligação com a Politécnica-UFRJ, Lima Netto iniciou sua carreira como aluno e, desde 1997, integra o corpo docente da UFRJ, já tendo exercido funções importantes como chefe do Departamento de Engenharia Eletrônica e coordenador acadêmico do Programa de Engenharia Elétrica da COPPE. Sua trajetória combina formação sólida no Brasil e doutorado no exterior, experiência em pesquisa, inovação e gestão acadêmica.
Ao seu lado, como vice-diretor, está o professor Marcelo Gomes Miguez, cuja carreira na UFRJ também é marcada por extenso envolvimento em ensino, pesquisa e administração universitária, com atuação em dezenas de comissões internas e projetos internacionais, especialmente na área de drenagem urbana sustentável e recursos hídricos.
Esta entrevista tem como objetivo compreender as perspectivas da nova gestão para o futuro da Escola Politécnica: seus planos para pesquisa e inovação, desafios na formação de engenheiros e engenheiras para o século XXI, estratégias de internacionalização e a relação com a comunidade acadêmica e sociedade.
O que o motivou a se candidatar ao cargo de diretor da Escola Politécnica da UFRJ e como sua trajetória acadêmica e administrativa contribuiu para essa decisão?
Sérgio Lima Netto: Minhas principais motivações incluem (i) consolidar e avançar o excelente trabalho da Profa. Cláudia Morgado e sua equipe à frente da Direção e (ii) retribuir à comunidade Poli tudo que recebi como aluno e professor nesses mais de 40 anos de UFRJ. Para a segunda parte da pergunta, espero que os relacionamentos que construí com alunos, técnicos administrativos e colegas professores durante esse longo período viabilizem a nossa gestão da melhor forma possível.
Quais são as principais prioridades da nova gestão e o que a comunidade pode esperar da Politécnica-UFRJ nos próximos quatro anos?
SLN: Como colocado acima, o principal ponto é consolidar e avançar nas várias frentes já em andamento na gestão da Profa. Cláudia Morgado. Assim, a comunidade Poli pode esperar um trabalho eficiente, aproveitando toda a estrutura e a experiência previamente angariadas, e inovador, de acordo com o perfil complementar da nossa chapa.
A Escola Politécnica é referência nacional em pesquisa e produção científica. Quais estratégias a nova diretoria pretende adotar para manter e ampliar essa excelência?
SLN: Nessa frente, pretendemos consolidar nossos cursos de pós-graduação e estreitar nosso relacionamento com a COPPE. Além disso, apoiaremos nossos professores na tarefa de coordenar e participar de projetos de pesquisa e extensão, sempre buscando a excelência que é marca da Poli em tudo que faz.
Como a gestão pretende fortalecer a inovação, o empreendedorismo e a aproximação da Escola Politécnica com o setor produtivo e a sociedade?
SLN: Pelo menos três de nossas diretorias atuam diretamente nesses setores. As iniciativas da Profa. Maria Alice Ferruccio, à frente da Diretoria Adjunta de Carreira e Empreendedorismo (DACE), como a Feira de Carreira e o sistema PoliVagas, dentre outras, serão continuadas e expandidas. Já na Diretoria Adjunta de Projetos e Relações Institucionais (DAPRI), com o Prof. José Marcio, pretendemos estreitar nossos relacionamentos com a FINEP, FIRJAN e outros parceiros. Por fim, mas não menos importante, nossa relação com a sociedade inclui ainda as atividades de extensão fomentadas pela Diretoria Adjunta de Extensão e Cultura (DAEC), com a Profa. Fernanda Vilela, que passam a fazer parte significativa dos nossos cursos de graduação.
A Escola Politécnica tem trabalhado para tornar a graduação mais acolhedora para os estudantes. Quais ações concretas estão previstas para fortalecer o senso de pertencimento dos estudantes?
SLN: A semana de acolhimento aos calouros já se tornou uma tradição de nossa instituição e já temos todo um planejamento conjunto da Diretoria Adjunta de Ensino e Graduação (DAEG), da Diretoria Adjunta de Políticas Estudantis (DAPE) e da DACE para o período de 2026/1.
Outras atividades incluem o Centro de Acolhimento e Suporte Acadêmico (CASA), cuja sede foi recentemente inaugurada, uma iniciativa da DAPE de grande sucesso, que tende a se expandir aproveitando o conhecido consolidado em suas etapas iniciais.
No âmbito da DAEG, temos uma oportunidade ímpar de reduzir os índices de retenção e evasão, principalmente nos nossos períodos iniciais, usando a disciplina de pré-Cálculo. Os frutos dessa iniciativa, implantada pela primeira vez em 2025/2, provavelmente serão colhidos na nossa gestão. A partir dela, queremos quantificar e qualificar as dificuldades dos alunos, para endereçá-las adequadamente, diminuindo os índices de reprovação. A depender do resultado, será interessante replicar esse trabalho para as demais disciplinas de Cálculo e até mesmo da Física.
As atividades das Equipes de Competição e Empresa Júnior (Fluxo), apoiadas pela Diretoria Adjunta de Tecnologia e Inovação (DATI), além, claro, das atividades de extensão a serem desenvolvidas pela DAEC, propiciam um ambiente mais rico e acolhedor para os alunos. O resultado de tudo isso é uma maior motivação por parte de nosso corpo discente, idealmente, reduzindo nossos índices de evasão e aumentando a qualidade de sua formação.
Quais são os planos para o ensino, tanto lato sensu quanto stricto sensu, e para a formação continuada de engenheiros?
SLN: O mercado atual requer um aprendizado contínuo, onde o(a) profissional de engenharia está constantemente se reciclando e se aperfeiçoando com as novas técnicas que surgem numa velocidade cada vez maior. Nesse sentido, a pós-graduação da Poli, tanto lato sensu quanto stricto sensu, cumpre esse papel com excelência, preparando melhor o profissional para um mercado competitivo e desafiador. Nossos planos nessa frente incluem expandir a divulgação de nossos cursos, aproveitando novos canais de comunicação, e apoiar a criação de novos cursos e de novas turmas dos cursos já existentes.
Como a extensão universitária será trabalhada nesta gestão e de que forma a Politécnica pode ampliar seu impacto social?
SLN: Com as novas diretrizes curriculares, a extensão passa a fazer parte integral das grades de nossos cursos de graduação. Desta forma, o papel da DAEC se torna fundamental para concretizar a carga horária requerida pela nova legislação, através de atividades que aproximam toda a comunidade Poli de nossa sociedade, ampliando ainda mais o papel social da nossa instituição. Acreditamos que essa maior aproximação com a sociedade deve trazer grande motivação para a Poli, incluindo não só o alunato como também nossos técnicos administrativos e professores, fechando o ciclo dialógico associado a essa atividade. A escala do desafio é grande, mas os frutos compensam o esforço.
Quais são as principais estratégias para fortalecer as parcerias internacionais em ensino, pesquisa e mobilidade acadêmica?
SLN: Nesse sentido, contamos com a experiência da Diretoria Adjunta de Relações Internacionais (DARI), uma referência no nível de toda a UFRJ, para aperfeiçoar os processos, consolidando e ampliando nossas parcerias internacionais. Nossa parceria com o Instituto Reditus pode trazer novas possibilidades nessa frente que é, na verdade, a semente dessa instituição.
Qual será o papel da comunidade interna — estudantes, docentes e técnicos — na construção e execução das ações da nova gestão?
SLN: Quando eu penso na instituição Poli, eu penso na verdade nessa “comunidade interna” citada na pergunta, com a Direção funcionando apenas como um ponto focal. Na prática, é a comunidade como um todo que produz, no seu dia-a-dia, o ensino, a extensão e a pesquisa de excelência, que são a marca da Politécnica. Nossa estruturação atual em 11 diretorias adjuntas já demonstra o papel crucial dos professores e técnicos administrativos na direção. Com relação aos alunos, foco principal de toda a Politécnica, seus representantes têm ampla representação na Congregação e canal sempre aberto via DAPE ou mesmo diretamente comigo.
Que mensagem você gostaria de deixar para a comunidade da Escola Politécnica da UFRJ neste início de mandato?
SLN: A mensagem que coloco é a que recebi de minha esposa, Isabela, quando conversamos sobre minha candidatura à Direção: é uma enorme responsabilidade, mas, acima de tudo, é um grande reconhecimento e privilégio estar à frente dessa bicentenária instituição. Agradeço à comunidade Poli pela oportunidade e espero retribuir com uma gestão eficiente, includente e transparente.




