Telhado verde desenvolvido pela UFRJ reduz temperatura em residência da Maré em até 8°C

Publicado em: 22/06/2026 Escola Politécnica da UFRJ
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Uma residência do Complexo da Maré registrou redução de até 8°C na temperatura interna após a instalação de um telhado verde desenvolvido no âmbito do Projeto Telhado Verde, iniciativa de professores e estudantes da Escola Politécnica da UFRJ. O resultado, considerado inédito pela equipe responsável, reforça o potencial da tecnologia como alternativa para amenizar os impactos das mudanças climáticas em áreas urbanas vulneráveis.

A iniciativa ganha ainda mais relevância diante do atual cenário climático. Segundo relatório publicado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) em março deste ano, o período entre 2015 e 2025 foi a década mais quente da história. Voltado à adaptação das moradias aos efeitos do calor extremo, o Projeto Telhado Verde busca promover maior conforto térmico e melhorar a qualidade de vida dos moradores.

A equipe, formada por três docentes e quatro alunos de graduação da Politécnica, uniu-se à ONG Redes da Maré, por meio do Programa de Engenharia Ambiental (PEA/UFRJ). O objetivo é construir telhados verdes capazes de diminuir o calor nas residências, aumentar a biodiversidade local e contribuir para a adaptação às mudanças climáticas.

Para a implementação do projeto foi selecionada, com o apoio de moradores da comunidade, uma residência do Complexo da Maré para receber o equipamento. O telhado verde foi instalado em dezembro de 2024 em uma casa habitada por duas pessoas. A construção foi viabilizada pela ONG Redes da Maré, que também capacitou 15 jovens da região responsáveis pela execução e manutenção da estrutura.

Segundo Marcos Barreto de Mendonça, professor da Escola Politécnica e coordenador da iniciativa, a execução do projeto em uma comunidade informal exigiu soluções específicas para garantir a segurança da estrutura existente. “A realização do telhado verde em uma comunidade informal foi um desafio, já que precisava ser muito leve para não comprometer a estrutura de telhado existente. Com este objetivo tivemos que conceber um projeto com materiais leves, inclusive reduzindo significativamente a espessura do substrato, que é o solo, para a vegetação. Entretanto, essa concepção poderia comprometer o desempenho térmico do telhado devido à pouca espessura de solo, porém os resultados têm indicado redução de temperatura bastante significativa em relação ao telhado convencional.”

Os resultados, registrados neste ano, foram obtidos por meio de inspeções visuais periódicas e medições realizadas por sensores térmicos. A eficácia do sistema foi comprovada pela comparação entre a residência que recebeu o telhado verde e moradias vizinhas que não contam com a tecnologia. Além dos benefícios térmicos, as moradoras relataram impactos positivos no bem-estar. Segundo elas, o jardim criado sobre a residência tornou o ambiente mais agradável e acolhedor, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida.

O coordenador também destaca o envolvimento direto da comunidade no desenvolvimento da pesquisa.

“Destaco também a prática da ciência cidadã nesta iniciativa, onde moradores da comunidade tiveram uma participação ativa na pesquisa, contribuindo na construção do telhado, medição de temperatura e manutenção da cobertura vegetal, vendo de perto os resultados positivos da técnica.”

Nos próximos meses, a equipe continuará monitorando os resultados e realizando testes em laboratório para aperfeiçoar os protótipos e ampliar o potencial da iniciativa.