A Finep, em parceria com o Clube de Engenharia, promoveu o seminário “A Nova Indústria do Brasil e a Formação de Engenheiros – Subsídios Estratégicos”, que discutiu desafios e oportunidades para a engenharia no país. Durante o encontro, foram abordados temas como neoindustrialização, formação de engenheiros, expectativas da indústria em relação às escolas e a visão das instituições acadêmicas sobre o setor industrial. A partir dos debates, serão elaborados três documentos estratégicos: um relatório síntese, um diagnóstico com propostas e um portfólio de projetos, que devem ser apresentados até abril de 2026. O seminário foi realizado na sede da Finep, no Rio de Janeiro, no dia 11 de dezembro.
A diretora da Escola Politécnica da UFRJ, Cláudia Morgado, participou do evento e destacou a necessidade de investimentos públicos para modernizar o ensino de engenharia e aproximar universidades e indústria, especialmente no contexto do programa Nova Indústria Brasil (NIB). “A engenharia historicamente não apenas concebeu projetos e desenvolveu a indústria, mas também desempenhou papéis cruciais em cargos operacionais de produção. É necessário formar engenheiros para todas essas áreas e inverter o foco do debate, voltando a atenção para a indústria e para o país, para entender o que realmente se espera da engenharia brasileira”, afirmou.
Durante o seminário, a diretora também alertou para desafios recentes da profissão, como o Projeto de Lei 1024, que contraria o processo de revalidação de diplomas ao permitir o registro provisório no CREA, e criticou a formação de engenheiros via Educação a Distância (EAD), modalidade já vetada em outras áreas profissionais, como Medicina, Odontologia e Direito. Ela reforçou que a falta de reciprocidade na contratação de engenheiros brasileiros por empresas estrangeiras instaladas no país evidencia a necessidade de alinhamento entre formação acadêmica e demandas do setor industrial.
Diante desse cenário, Cláudia destacou que, embora o desenvolvimento de soft skills seja importante, é cada vez mais essencial que os engenheiros dominem hard skills de forma aprofundada e prática, adaptada às novas demandas do mercado. A nova geração de estudantes não aceita mais aprender conteúdos apenas por obrigação, sem compreender sua aplicação prática; por isso, as disciplinas precisam demonstrar claramente sua relevância para o aprendizado. “É um equívoco também imaginar que a graduação deva abranger todo o conhecimento que um engenheiro adquirirá ao longo de 40 ou 50 anos de carreira. A formação universitária deve oferecer uma base sólida e preparar o profissional para se adaptar às constantes transformações do setor”, concluiu.
Além da diretora da Escola Politécnica, Cláudia Morgado, também participaram do debate Adriana Tonini, presidente da Associação Brasileira de Educação em Engenharia (ABENGE); Jorge Audy, ex-presidente da IASP, da ANPROTEC e professor da PUC-RS; Antônio MacDowell de Figueiredo, o professor da Escola Politécnica e ex-diretor superintendente da Fundação Coppetec; e Paulo Alcântara Gomes, professor emérito da UFRJ. Prestigiaram o evento os professores da Escola Politécnica Richard Stephan e Sérgio Lima Netto – recém eleito para a Direção da Escola no Quadriênio 2026-2029.
O seminário foi transmitido pelo canal da Finep no YouTube e pode ser assistido nos links:
11 de dezembro – https://www.youtube.com/watch?v=mqqndN3Bv50&t=14192s
12 de dezembro – https://www.youtube.com/watch?v=rhn_qWvZoVM
