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Homenagem ao professor Benzecry (in memoriam) e ao criador da Frente Parlamentar de Educação Alex Canziani

 


Foto: Jorge Rodrigues Jorge

Uma ala do segundo andar do Bloco A do Centro de Tecnologia recebeu o nome de Pavilhão José Haim Benzecry. A cerimônia de descerramento da placa que registra o batismo aconteceu no dia 30 de maio e precedeu a Sessão Solene da Congregação da Escola Politécnica da UFRJ convocada para homenagens ao muito querido professor da Escola, falecido em janeiro, e ao ex-deputado Alex Canziani, que exerceu mandato por quatro legislaturas consecutivas (2003-2019). Ele recebeu a Medalha André Rebouças pelas contribuições em prol da Engenharia, Ciência, Tecnologia e Educação Superior, no período de 2011 a 2019, quando presidiu a Frente Parlamentar Mista da Educação, criada por ele.

Na presença de familiares, professores amigos e ex-alunos do prof. Benzecry, a diretora da Poli-UFRJ, Cláudia Morgado, destacou a trajetória de dedicação do professor por 24 anos à instituição e passou ao prof. Severino Fonseca Neto a honra de descerrar a placa.  Emocionado e com Amora, a neta de um ano do homenageado no colo, falou sobre o ex-professor, parceiro de trabalho e amigo e deixou à mostra a placa na qual um dos talentos do prof, Benzecry está assim resumido:  “Um homem que possuía o dom de ensinar de forma simples a complexidade da termodinâmica.”

As homenagens na sessão solene

No Salão Nobre da Decania, compondo a mesa estavam a diretora da Poli, Cláudia Morgado, o vice-diretor da Poli, Vinícius Cardoso, o decano do Centro de Tecnologia, Walter Suemitsu, a esposa do homenageado in memoriam, Esther Haim Bezencry, e o ex-deputado federal Alex Canziani.  Todos se pronunciaram e seguiram-se os blocos de falas sobre os homenageados.

Os professores Claudio Baraúna, Paulo de Tarso, Severino Fonseca Neto e Heloi Moreira discorreram sobre as múltiplas facetas do prof. Benzecry. Além de professor competente e muito querido pelos alunos, era exímio pianista e contador de histórias e piadas.  A história dele na Politécnica começou, em 1964, com o ingresso no curso de Engenharia Naval.  Em 1970, passou a professor e foi diretor da Escola de Engenharia, de 1994 a 1996, e coordenador geral do curso de pós-graduação de Engenharia de Manutenção por 24 anos. O Prof. Heloi Moreira, Superintendente do Museu da Escola Politécnica, Presidente da A3P, e membro da Comissão do Mérito da Congregação, entregou um Diploma à esposa do Prof Benzencry, Esther Haim Bezencry, uma réplica da Placa fixa na entrada do Pavilhão que hoje leva seu nome.

Coube à Diretora Cláudia Morgado, ao Diretor de Extensão Edilberto Strauss, ao ex-Diretor do Instituto Coppead de Administração, Vicente de Castro Ferreira, e o membro da Comissão do Mérito da Congregação da Escola Politécnica, Prof. Edson Renato Silva, destacarem as contribuições do ex-deputado federal Alex Canziani (PTB/Paraná) à Educação, especialmente na proposição de uma emenda constitucional para garantir às instituições públicas a cobrança por cursos de pós- graduação lato sensu. Na ocasião, não foi aprovada, mas todo o trabalho realizado na Câmara, com apoio do, então, deputado, contribuiu para mobilização de instituições representativas do Governo, da academia e da ciência e tecnologia, que foram decisivas, e o pleito acabou vitorioso em decisão de 9 a 1 no Superior Tribunal Federal.

Todos foram muito enfáticos no agradecimento e reconhecimento à Canziani, cuja trajetória política teve início como vereador de Londrina (PR) em 1988, passando pela Secretaria de Educação de Curitiba de Jaime Lerner e continuando na Câmara com sua pauta principal em prol da Educação, da Ciência e da Tecnologia. O Prof. Edson Renato Silva, Chefe do Departamento de Engenharia Industrial e membro da Comissão do Mérito da Congregação da Escola Politécnica, fez a leitura do Diploma concedido pela Congregação, e a Profa Cláudia Morgado fez a entrega da Medalha André Rebouças ao agraciado.

 

Sobre a Medalha André Rebouças

A Medalha André Rebouças foi criada em comemoração aos 225 anos da Escola Politécnica da UFRJ, ao final de 2017. Na frente, o rosto de André Rebouças (1838-1898), primeiro engenheiro negro do país. No verso está a logomarca que faz referência a um relógio, para simbolizar o tempo, com a "Ponte do Saber", servindo de ponteiro e o pôr do sol representado pela composição de uma engrenagem simbolizando todas as Engenharias da Escola Politécnica.

Quem foi André Rebouças

André Pinto Rebouças nasceu em 13 de janeiro de 1838, na cidade baiana de Cachoeiras. Vindo com a família para o Rio de Janeiro em 1846, aqui se diplomou em 1859 pela Escola Militar e de Aplicação da Praia Vermelha, como Bacharel em Ciências Físicas e Matemáticas. No ano seguinte, diplomou-se como Engenheiro Militar. Registra-se que nessa época estava ainda em início a separação do ensino das engenharias militar e civil no Brasil.

Atuou como engenheiro, empresário e industrial, preocupando-se também com as causas sociais como a abolição da escravatura, o problema das terras, a pobreza, a alimentação pública, o abastecimento de água e o saneamento das cidades.

Trabalhou intensamente durante os anos 80 na Campanha Abolicionista, publicando artigos na imprensa, arregimentando adeptos, fazendo conferências, expedindo boletins, influenciando seus alunos da Escola Politécnica.

Retornando da Guerra do Paraguai, onde foi condecorado, requereu baixa do Exército para se dedicar à engenharia civil e ao magistério na Escola Politécnica. Foi Professor Catedrático de Resistência dos Materiais.

Como engenheiro encabeçou a iniciativa de defender junto ao imperador o exercício da engenharia no Brasil por engenheiros brasileiros. Introduziu no Brasil o uso de modelos reduzidos no desenvolvimento de projetos e obras. Foi o primeiro a realizar experimentos com concretos e argamassas de cimento Portland. Atuou em projetos portuários, como no cais da Doca D. Pedro II, usando disposição inédita dos piers.

Como professor não foi menor o seu espírito progressista: atualizou os cursos que ministrou, adotando o que de mais recente aparecia na bibliografia e nas revistas técnicas européias da época. Introduziu na Escola Politécnica a Teoria da Plasticidade, assunto que acabara de surgir com o professor francês Henri Tresca, em 1864.

Com a Proclamação da República, seguiu para a Europa acompanhando a família imperial. Viveu sem ocupação efetiva na África do Sul e, posteriormente, em Funchal, Ilha da Madeira.

Com a saúde fragilizada e parcos recursos financeiros, em maio de 1898 foi encontrado morto junto ao mar, ao pé de um penedo, em cujo cimo passava uma alameda do hotel onde se hospedava. Nunca se soube se foi acidente ou suicídio.

Segundo palavras de um dos seus biógrafos, o Professor Emérito Sydney Santos,

“André Rebouças foi um grande brasileiro. Sua vida de lutas e realizações merece ser conhecida amplamente. O que deixou escrito tem até hoje interesse efetivo. Mas o que não pode ficar em olvido foram suas duas atuações mestras: A do eminente engenheiro-professor e a do abolicionista dedicado.”

(por Heloi Moreira)


Foto: Jorge Rodrigues Jorge


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Foto: Jorge Rodrigues Jorge

05/06/2019
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