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Na crista da onda:
Alberto Luiz Coimbra revolucionou o ensino de engenharia do Brasil

 

 

Todos os dias, no ano de 1963, o engenheiro Alberto Luiz Coimbra chegava cedo à recém-inaugurada Coppe-UFRJ para contemplar a cena que havia concebido: jovens brasileiros entrando numa universidade brasileira para receber aulas de pós-graduação em engenharia. Até que o professor Coimbra empreendesse desmesurados esforços para pôr a Coppe-UFRJ de pé, não havia curso do tipo em lugar algum da América Latina, lembra Anna Bárbara Coimbra, neta do engenheiro. “Ele tinha um projeto tecnológico para o país, com o professor em primeiro lugar”, comenta.

No último dia 14, a Coppe-UFRJ, que hoje leva o nome do professor Coimbra, promoveu uma cerimônia e inaugurou um busto em homenagem a seu fundador, que morreu no dia 16 de maio. Segundo Anna Bárbara, Coimbra falava da UFRJ com grande carinho. Quando era bem pequena e ninguém ainda a havia atormentado com perguntas relacionadas à carreira, o avô lhe questionou se não pensava em cursar engenharia na UFRJ. Parece tê-la convencido: depois de flertar com as humanidades, Anna Bárbara escolheu engenharia mecânica na Poli-UFRJ, curso do qual ainda é aluna. “Ele me influenciou”, confessa. “Admiro muito a mente aberta e jovem que ele tinha”.

 

 

Coimbra nasceu em 1923, em Botafogo, no Rio de Janeiro. Após concluir o equivalente ao atual ensino médio, foi para os Estados Unidos estudar inglês, aos 17 anos. Quando voltou ao Brasil, foi um dos 13 aprovados para o curso de química industrial na UFRJ, durante o qual apaixonou-se pela matemática. Isso o conduziu à graduação em engenharia química. Depois disso, Coimbra foi para a Universidade de Vanderbilt, nos Estados Unidos, com uma bolsa de mestrado, aos 24 anos.

Em 1953, quatro anos depois de voltar ao Brasil e de ter dado aulas em graduação de Engenharia Industrial em São Paulo, o professor Coimbra retornou à sua alma mater, a UFRJ, onde lecionou no Instituto de Química. Após passar também pela PUC-Rio, pelo curso de refinação de petróleo da Petrobras e pela consultoria, teve a ideia de criar um curso de pós-graduação brasileiro em engenharia química. Em 1960, a convite de Frank Tiller, seu professor em Vanderbilt, professor Coimbra viajou por várias universidades americanas. Na ocasião, ele já idealizava criar o que se tornaria a Coppe-UFRJ — cuja semente foi o Programa de Engenharia Química, criado em 1963.

Segundo a amiga e admiradora Juliana Braga Loureiro, professora e diretora adjunta de Ensino e Cultura da Poli-UFRJ, o professor Coimbra tinha o “espírito de fazer muito com pouca infraestrutura”. Defendia a integração entre a graduação e a pós-graduação, o contrato de exclusividade entre o professor e a universidade pública e a combinação da docência com a pesquisa, praxes da academia brasileira que professor Coimbra logrou implementar em larga escala — e antes de todo mundo.

“De uma maneira geral, sua maior preocupação era entregarmos nossas riquezas para os países desenvolvidos”, comenta Juliana. “Com a ideia de fazer no Brasil uma engenharia de alto nível, sempre dizia uma frase que nunca esqueço: 'País sem desenvolvimento tecnológico é país submisso’.”

Diante de tamanha contribuição para o ensino de engenharia no país, pode-se suspeitar que as realizações do Coimbra pesquisador rivalizam com as do Coimbra engenheiro. Para a neta, no entanto, o engenheiro e o pesquisador são inseparáveis. “A engenharia pressupõe detectar um problema e resolvê-lo. Ele teve precisão de engenheiro ao perceber uma falta.”

Por influência do avô, Anna Bárbara, que pertence a uma família abarrotada de engenheiros e cientistas, tenciona seguir no mundo acadêmico. “Você vai gostar da UFRJ”, ele lhe dissera. Mas não previra o impacto do próprio vaticínio. “Por causa dele, passei a apreciar a ideia de estar na vanguarda do conhecimento, na crista da onda, onde as coisas acontecem.”


04/12/2018
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