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Entrevista com Professor Heloi Moreira, ex-diretor da Escola Politécnica

Como parte das comemorações dos 225 anos da Escola Politécnica, o Poli Notícias está abrindo o espaço para ex-diretores da Poli, para contarem um pouco sobre os desafios e motivações relacionadas à gestão da Poli. O entrevistado desta semana é o Professor Heloi José Fernandes Moreira, que foi diretor da Escola Politécnica por dois mandatos consecutivos, no período de 1998 a 2001 e entre 2002 e 2005. No entanto, a participação do Prof. Heloi na diretoria da Poli começou ainda antes, quando foi Vice-Diretor no período de 1994 a 1995, e assumiu o cargo da direção nos anos de 1996 e 1997.

Em sua opinião, o que mais mudou na Escola de lá pra cá?

Acredito que a primeira coisa é a informatização, a escola não tinha computadores, apenas alguns laboratórios tinham porque o CNPQ dava. Os primeiros computadores foram pra sessão de pessoal, eram apenas dois e os funcionários ainda não estavam capacitados para usar computadores.

Depois de duas semanas com os equipamentos, ninguém usava. Para que aprendessem a usar, o diretor teve a seguinte ideia, falou para que todos passassem uma semana apenas jogando no computador. A ideia deu certo e os funcionários começaram a se familiarizar mais com as máquinas. Com isso, outros setores foram sendo informatizados, criou-se o site da Escola Politécnica e o Poli mail.

Outra mudança foi o qualificação do corpo técnico e administrativo da Poli. Nós começamos a oferecer cursos para os funcionários. A professora Claudia Morgado, na época diretora de pessoal, organizava cursos, convidou psicólogos, tínhamos cursos de português e redação. Hoje em dia, eles já chegam aqui com uma qualificação muito maior.

E, por último, uma mudança importante foi o aumento de vagas. Quando iniciamos o mandato, eram por volta de 600 vagas de alunos e hoje acredito que são mais de 900, embora não tenhamos um número muito maior de professores, pois temos praticamente a mesma quantidade de antes. Isso é um milagre!

Qual é a maior desafio para um Diretor da Politécnica?

A questão financeira era drástica! A solução que se deu foi um aumento nos cursos de pós-graduação lato sensu. Quando eu entrei tinham uns três ou quatro, dez anos depois eram por volta de 14, e isso que deu fôlego pra gente. E, se não tivesse sido a Associação dos Antigos alunos para nos ajudar na gestão financeira, a gente teria tido muita dificuldade.

Outro desafio grande é o espaço físico, porque esse prédio foi concebido para conter a Escola, projetado para 5 mil alunos. Hoje, ela tem os 5 mil alunos e divide o espaço com o Instituto de Física, o Instituto de Química e o Instituto de Matemática, Escolar de Química e a COPPE.

Uma questão que também deve ser considerada é a estrutura, pois temos a Escola, os Departamentos e os cursos, é uma estrutura bastante hierarquizada. E, ao mesmo tempo, a configuração física do prédio e dos blocos faz com que os departamentos pensem de maneira rígida. Então, por exemplo, a mecânica é no bloco G e o aluno da mecânica acha que a Escola é apenas no bloco G. Tudo é muito segmentado o que cria problemas complicados para a administração, e isso se torna ainda mais forte quando o curso não permeia por outras áreas. Porém, essa questão já esta sendo sanada em alguns cursos, como é o caso da Engenharia Ambiental, que tem parte das aulas na Engenharia Civil, parte na Ambiental e algumas aulas no Instituto de Biologia, então se tornou um curso muito mais universal, englobando mais a Universidade como um todo.

Acima de tudo, ainda existem as questões políticas, entre departamentos e entre departamentos e direção, o que não é fácil de lidar, porque ao mesmo tempo que o diretor é eleito, o chefe de departamento também é fruto de uma eleição, então entender os limites da autonomia se torna difícil.

Qual é o mair diferencial da Escola Politécnica da UFRJ em relação a outras faculdades de Engenharia?

Sem sombra de dúvidas é o nome. Ser formado pela Escola Politécnica é algo de muita importância para o mercado de trabalho, especialmente do Rio. É cultura, é da tradição, e quem tem tradição tem prestígio.

Uma vez quando recebi um aluno transferido do IME, ele me disse que veio para Poli por conta da possibilidade de transitar entre aulas e alunos de graduação e pós-graduação, que é muito mais ampla do que no IME.

E a qualificação dos docente e discentes também é algo de extrema importância, pois em principio, os alunos que entram aqui são os mais bem qualificados e por consequência, classificados, e isso se aplica a UFRJ como um todo. E os docentes também, já que a maioria absoluta hoje tem doutorado. Na época em que eu era diretor não era assim, mas com o tempo isso foi mudando. Porém, isso pode ser bom e ruim, porque o professor pode ter emendado graduação, mestrado e doutorado e muitas vezes acaba por não ter uma vivência de mercado de trabalho.

Temos também laboratórios ultra especializados e são poucas as Universidades que tem esse tipo de laboratório, com instrumentos caríssimos. Na minha época de diretor, eu lembro que cheguei a comprar um instrumento para o laboratório de maquinas, através de um projeto, que custou uns 5 mil dólares, na época em que o dólar era ainda mais caro.

Outro ponto é a quantidade de bolsistas de iniciação científica, isso é um diferencial muito grande. Muitas vezes temos greves na Universidade e você olha e parece que esta tudo a mesma coisa, os alunos vem para o laboratório trabalhar, então isso é um diferencial.

Para terminar, qual é a sua melhor recordação do seu tempo de diretor?

Então, inicialmente nos tínhamos apenas sete cursos de engenharia. Durante os 10 anos foram criados o primeiro curso de engenharia de materiais, que não existia, e mais cinco cursos, passando para um total de 12 cursos, o que abriu um leque muito grande de opções. Eu me lembro que nesta época a A3P pagou por uma propaganda em ônibus, numa radio e um outdoor na linha vermelha para anunciar os cursos novos. Foi então que recebi uma ligação de um jornalista perguntando se os curso que estavam sendo criados e anunciados seriam pagos. Eu respondi que fazíamos a propaganda porque a intenção era atrair os melhores alunos para a Escola Politécnica. Esse foi um momento que deu muito trabalho mesmo.

Outra situação bastante interessante foi o resgate do nome da Politécnica. A Instituição era militar, depois se tornou civil com o nome “Politécnica”, mas foi então, em 1937, que Getulio Vargas criou as instituições nacionais. Isso só acabou em 1996, quando os militares fizeram com que tudo virasse federal. Então, durante a minhas gestão, nos buscamos resgatar o nome Politécnica, o que demorou por volta de três anos, porque tinha que ser assinado pelo presidente da república, e terminou apenas em 2005. Lembro que fiquei morrendo de medo de acabar a gestão antes da mudança.

Outra coisa importante foi ter encontrado a bandeira da escola, porque na época não tínhamos. Encontrei uma bandeira velha jogada numa sala anexa ao conselho universitário, ela agora esta no museu e nos mandamos fazer outras. A escola tinha perdido muito da sua imagem com o tempo, muito por conta da transferência traumática da sede do Largo do São Francisco para o Fundão, quando o prédio ainda estava inacabado. Os alunos da primeira turma contam que para tomar um cafezinho tinham que andar até a reitoria ou que era mais fácil ouvir o barulho da obra do que os professores falando. Então, foi um processo bem difícil e com isso perdeu o seu nome, ficou apenas Escola de Engenharia, não tínhamos bandeira e nem a logomarca. O que nos fizemos foi um resgate da marca, doando camisetas com o nome para as pessoas literalmente vestirem a camisa.

E outro momento muito marcante foi a criação dos convênios internacionais. Nos fomos procurados pela Ecole Polytechnique de Paris, que é considerada a nata da engenharia, e eles quiseram fazer o convênio somente conosco e com a Poli da USP. Foi então que começamos a fechar outros convênios internacionais.

Por fim é importante dizer que foi muito gratificante estar como Diretor da Poli. Conheci muitas pessoas, criei amigos que eram professores, outros foram alunos e também com vários funcionários. Foi talvez a melhor coisa que aconteceu na minha vida pessoal.

 


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29/09/17
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