Site UFRJ

 

Untitled Document

Notícias
 
Entrevista com Professor Antônio Cláudio Gómez, ex-diretor da Escola Politécnica

Como parte das comemorações dos 225 anos da Escola Politécnica, vamos realizar entrevistas com ex-diretores da Escola Politécnica, que vão falar sobre desafios e motivações relacionadas à gestão da Poli. O entrevistado da vez é o Professor Antônio Cláudio Gómez, que foi diretor da Escola Politécnica no período de 1986 até 2000.

Em sua opinião, o que mais mudou na Escola Poli técnica desde o seu período como diretor?
Fui o primeiro Diretor a ser eleito em eleição direta, depois confirmada na Congregação da “Escola de Engenharia”, hoje Escola Politécnica. Foi consequência de um movimento para democratizar a indicação dos dirigentes da UFRJ, que mudou a Escola e a UFRJ. Naquela ocasião lutou-se também para aumentar a participação da Comunidade Acadêmica não só em eleições, mas em todos os colegiados. Ainda há muito a fazer para se atingir uma real participação da comunidade acadêmica.

Qual é a maior desafio para um Diretor da Politécnica?
Certamente é mobilizar o corpo social da Escola, sua maior força. A cultura, e as leis de nosso país, não abrem espaço para a real participação dos cidadãos nos órgãos de representação em todos os níveis governamentais, assim como em associações e movimentos sociais. Aqui participação significa não só indicar, mas participar ativamente na gestão de todos os poderes, públicos ou privados. Infelizmente nossa Universidade não tem conseguido romper com este afastamento dos representantes e seus representados, pela cultura acima referida, assim como por este afastamento não ser considerado um real entrave para vivenciarmos uma democracia real e radical no país e na universidade.

Qual é o maior diferencial da Escola Politécnica da UFRJ em relação a outras faculdades de Engenharia?
Cito novamente seu corpo social, professores, funcionários e alunos. Com a mudança na forma de entrada no vestibular houve uma melhora no corpo social dos alunos, que passou a ter uma participação maior de setores sociais mais pobres, o que ajuda a Universidade a se orientar para os mais oprimidos.

E qual foi o melhor momento ou sua melhor recordação da sua gestão?
Certamente foi a reforma de ensino que fizemos no básico. Naquela época o curso de Engenharia era dividido em dois segmentos: um básico comum a todos alunos que entravam na Escola, e o profissional, dividido pelas várias habilitações da Escola.


O Básico era uma terra de ninguém, os alunos tinham aulas nos vários blocos do CT, não tinham uma secretaria especial para eles e uma carga horária acima de 31 horas semanais, o que impossibilitava que os estudantes tivessem espaço para reflexões e de vivência. Havia aulas dadas em anfiteatros com 160 alunos, e os alunos eram distribuídos em turmas pela classificação no vestibular, os primeiros na turma “A”, os seguintes na “B”, e assim por diante. Isto criava um estigma para os alunos que entravam nas últimas turmas, inclusive reforçado por professores que afirmavam que dariam aulas apenas para alunos da turma “A”, no máximo para a turma “B”. A consequência disto é que no primeiro mês 1/3 dos alunos novos desistia e abandonava a Escola.


Minha primeira medida como Diretor foi fazer a distribuição dos alunos nas turmas por ordem alfabética. A seguir, junto com o Professor Cláudio Mahler, Diretor Adjunto de Ensino, planejamos uma reforma no ciclo básico.
Inicialmente estabelecemos, na Congregação, uma grade curricular com 20 horas semanais de aulas teóricas e até oito horas de aulas práticas. Esta grade cumpria a exigência mínima de 3.600 horas. A seguir iniciou-se a discutir o currículo do ciclo básico.


Pessoalmente participei, durante um ano, de 52 reuniões com os departamentos da Escola e com os Institutos. Nessas reuniões foi definido como seria o currículo do básico. Foram eliminadas algumas disciplinas que tinham sobreposição com outras, e as físicas e os cálculos passaram de 6 horas semanais de teóricas para 4 horas semanais, à exceção de Cálculo I. Ao mesmo tempo foi aceito por todos o compromisso de passar do máximo de 160 alunos por turma para o máximo de 60 alunos por turma.


Passaram também a participar do básico a Faculdade de Letras oferecendo duas disciplinas, Português Instrumental I e II para os alunos com deficiências na comunicação, e o IFCS com disciplinas de Filosofia e Epistemologia lecionadas no Fundão e no IFCS, cursadas por nossos alunos com os alunos do IFCS.


A análise dos dados mostrou uma melhora significativa no rendimento dos alunos e queda nas desistências. Os dados desta reforma, com a análise dos resultados, ficou na Escola como documento oficial.

 

 

 

 


REDES SOCIAIS:
Compartilhar no FacebookCompartilhar no Twitter

08/08/17
Assessoria de Imprensa e Comunicação da Escola Politécnica da UFRJ
Jornalista: Thais Vieira
Telefones:(21) 3938-7301

 
 


 
     Universidade Federal do Rio de Janeiro - Escola Politécnica
     Av. Athos da Silveira Ramos, 149, CT - Bloco A, 2º andar - Cidade Universitária - Rio de Janeiro - RJ - Brasil
     CEP: 21941-909 - Caixa Postal 68529 - Telefone: + 55 - 21 - 3938-7010 - Fax: + 55 - 21 - 3938-7718
Desenvolvido por STI Poli